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Outrora, os lavadouros representavam o expoente máximo da devassa das vidas privadas dos fregueses, aliás, esta ideia trouxe para o léxico popular o eufemismo lavar a roupa suja para significar maledicência. Também é divertida a ideia metaforicamente perpetuada de um grupo de mulheres a tricotar, que para além da execução de bonitos mimos de lã para agasalharem os seus filhos, também mimavam com observações de escárnio aqueles que por azar ou audácia se desviavam da linha dos bons costumes, seja lá o que isso for. Estes conceitos tinham um grave defeito porque atribuíam à mulher a exclusividade desta arte de maldizer e de assinalar condutas erróneas dos outros e todos sabemos que os homens, ai os homens, são tão ou mais mordazes nos seus julgamentos.

Hoje em dia, estes escrutínios de comportamentos têm outros palcos e na webosfera a desaprovação é veiculada estridentemente por megafones impiedosos, contrariando o respeitinho de outros tempos, em que o escrúpulo se ocupava de fazer espalhar as desadequações dos outros à boca pequena, em sussurro, como quem diz, cala-te boca, eu não disse nada!

Considero mais justo e divertido este método espalhafatoso de fazer notar as práticas dos paroquianos suscetíveis de reparo, porque mesmo que por vezes, se incorra em injustiças na sinalização dessas inconveniências, pelo menos, abre-se a possibilidade de cada um se defender, emendar ou tirar satisfações. E note-se, que com a mesma facilidade que se manifesta publicamente esta repulsa por algo ou alguém, outros, pela mesmíssima via, bajulam e insuflam o sensível ego dos visados à conta de elogios. Mas atenção, porque alguns desses louvores estão putrefeitos e por isso são passiveis de provocar um dano maior do que provocaria a desprestigiada maledicência.

Óbvio, que a era digital potenciou a exposição de cada um nós, democratizando o uso de uma infinidade de canais que permitem dar-nos a conhecer a uma vasta audiência, que seria impossível de conseguir apenas em contatos presenciais. Mas não sem um preço, porque temos de ter sempre em conta, que se trata de um auditório muito anárquico e irresponsável. Consequência disso mesmo, o retorno dessa exposição pode ser muito generoso, mas temos de estar preparados, porque a plateia também pode ser ácida e estar a léguas das nossas expectativas.

Posto isto, todos concordamos que para muitos a visibilidade nas redes sociais é uma opção, mas para outras é uma inevitabilidade. A título de exemplo, é fácil perceber que a carreira de pessoas da área artística, dos criadores de conteúdos, dos podcasters, dos influencers, dos youtubers está umbilicalmente ligada à sua notoriedade no mundo digital e terão de estar preparados para as regras do jogo. Mas infelizmente, muitos dos que optaram por expor-se e alimentar-se desse palco mediático, não estão disponíveis para desconsiderações sobre o seu trabalho, porque a bolha que lhes permitiu atingir o reconhecimento, apenas os habituou à adulação.

Verifico, não poucas vezes, gente muito indignada porque determinado conteúdo seu se tornou viral porque alguém, com o tal megafone afinado, gritou algumas inconveniências e esse atrevimento provocou um injusto dano reputacional, na opinião do visado. Óbvio que é desagradável, a frustração é aceitável, mas ser demasiado vocal a refutar a eventual calúnia, ao ponto de se devolverem ofensas gratuitas ou até chegar ao cúmulo de se processar alguém por isso, parece-me excessivo e típico de alguém que se leva demasiado a sério.

O curioso é que se pedem-se contas aos que caluniam, mas nunca se questionam os que bajulam em excesso e que fazem essa popular personalidade acreditar ser um verdadeiro guru na sua área de influência, no fundo, a última bolacha do pacote!

Riam-se dos odiadores e defendam-se dos gostadores, porque são eles que vos iludem!

 

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